IGREJA-SOCIEDADE ALTERNATIVA

A explicação do sentido desse título, está em ARQUIVO DE POSTAGENS, out. 29 de 2011

quarta-feira, 10 de junho de 2015

COMUNICAMOS AOS LEITORES E SEGUIDORES DESTE BLOG, QUE POR MOTIVOS DE SAÚDE, O SR. NORBERTO LUIZ DE SOUZA, ENCONTRA-SE IMPOSSIBILITADO DE ATUALIZAR E RESPONDER AOS POSTS.
AQUELES QUE PORVENTURA QUEIRAM ENTRAR EM CONTATO COM OS FAMILIARES, DEVEM SE UTILIZAR DO SEGUINTE ENDEREÇO DE E-MAIL:
meufrasiapsouza@hotmail.com a/c de Eufrasia.
SEM MAIS PARA O MOMENTO, AGRADECEMOS OS VOTOS DE MELHORA E PRONTA RECUPERAÇÃO.

domingo, 27 de julho de 2014

Como viviam os cristãos no sec.II (p 138)

A vivencia concreta das comunidades cristãs antigas (sec.II e III) no seguimento de Jesus é pouco conhecida.No entanto muitas de suas atitudes que devíamos ter conservado, perdemos e nos desfiguramos como povo de Deus. O livro " A Igreja que Jesus queria" do Gerard Lohfink tem páginas preciosas que relatam o que escritores da época testemunhavam sobre os grupos cristãos. 
Em seguida transcrevo algumas páginas do capítulo intitulado "A fraternidade cristã".                                  


"Que o tratamento de irmão e irmã nas comunidades não era apenas uma expressão bonita, mostra o serviço de assistência, que se estendia, em princípio, a todos  os membros da  comunidade, que necessitavam  de auxílio;  algo que era revolucionário frente a sociedade pagã. Tratava-se principalmente, das viúvas, dos órfãos, dos velhos e doentes, dos inválidos, dos desempregados, dos presos e dos banidos, dos cristãos que estavam em viagem e de todos os membros da comunidade que passavam necessidades. Além  disso  vinha ainda  a preocupação por um enterro digno dos pobres.


Dos  elementos mencionados nesta lista, merece realce especial o cuidado da comunidade  por seus inválidos e desempregados. As comunidades exigiam de todos os que podiam  trabalhar, que trabalhassem e até arranjava na medida do possível, empregos para eles. Mas quem não podia mais trabalhar podia estar seguro de receber  auxílio da comunidade. Assim foram criados  um sistema de mediação de empregos  e uma rede de segurança social, que eram únicos no tempo antigo. Eles baseavam-se na ajuda mútua e em ofertas  espontâneas , que geralmente eram recolhidas durante a celebração eucarística aos domingos. Assim, dentro  de sua conhecida descrição da celebração cristã,  Justino  diz:

Mas quem tem os meios e a boa vontade, dá, conforme seu próprio parecer, o que quer e aquilo que é recolhido, é depositado com o dirigente; com isto, ele ajuda órfãos e viúvas, aqueles que por causa de doença ou por qualquer outra razão passam necessidades, os presos e os estrangeiros que estão presentes na comunidade   (Justino,Apologia I. 67...).

Este sistema de assistência altamente  eficiente,contudo, não se limitava à própria comunidade local.Temos uma série de provas de que a ajuda se estendia também a comunidades cristãs vizinhas nas quais surgira uma necessidade  especial.Especialmente a comunidade de Roma era conhecida por sua ajuda a comunidades de outras cidades. O bispo  Dionísio de Corinto escreve à comunidade de Roma, por volta do ano 170:

Desde o começo, vocês tinham o costume de ajudar a todos os irmãos de várias maneiras e de mandar auxílios a muitas comunidades em todas as cidades. Pelos donativos que desde outrora mandaram, mantendo assim, como Romanos, uma tradição romana antiga, vocês aliviam a pobreza dos necessitados e auxiliam os irmãos que vivem nas minas. Seu santo bispo Sóter não só manteve este costume, mas ainda o ampliou (Eusébio,História da Igreja IV, 23.10...).

Tanto dentro das diversas comunidades como na Igreja em sua totalidade, irmandade não era uma palavra vazia. “Enquanto a doutrina cristã, aos olhos dos seus adversários  parecia utópica e irreal, ela mostrava-se no seu uso prático como orientação concreta para resolver as necessidades  econômicas e sociais, pelo menos, dos membros das comunidades “ (H.Kraft...)

Com tudo isto é claro o que a Igreja antiga entendia com o termo amor (ágape).Não um sentimento nobre, mas uma ajuda bem concreta – dada especialmente aos irmãos na fé. Esporadicamente ágape pode envolver também pessoas fora da Igreja, segundo a tradição de Mt 5,43-48.Mas geralmente o termo é entendido da mesma maneira como é usado na linguagem do Novo Testamento,isto é, amor mútuo dentro da comunidade. Assim Aristides, em correspondência exata à terminologia da literatura das epístolas do Novo Testamento, diz, no capítulo 15 de sua apologia, dos cristãos:

Aos ímpios, eles oferecem benefícios com solicitude (15,5), uns aos outros eles amam-se (15,7)".

No próximo texto o Lohfink continuará mostrando vivências dos cristãos do II e III séculos.








quarta-feira, 2 de julho de 2014

A que ponto a Igreja católica tem necessidade de renovação.(p 137)

A presidente do movimento “Nós somos Igreja” é excomungada.
A austríaca Martha Heizer , figura de proa do movimento reformista católico, acaba de ser excomungada.

A reportagem é de Anna Latron e publicada no sítio da revista francesa La Vie, 22-05-2014. A tradução é de André Langer. O IHU on-line, divulgou para nós.


É o epílogo de uma longa queda de braço entre o movimento Wir sind Kirche (Nós somos Igreja) e o Vaticano.
Segundo as informações do Tiroler TageszeitungMartha Heizer, a presidente austríaca do movimento laico crítico a Roma, acaba de ser excomungada. A pena atinge também seu marido, Gert Heizer. De acordo com o jornal alemão Die Welt, a informação é confirmada “por círculos católicos”.
O bispo de InnsbruckManfred Scheuer, “teve de apresentar pessoalmente o decreto ao casal na quarta-feira, dia 21 de maio, à noite”, precisa a Rádio ORF Tirol. O bispo leu, pois, o conteúdo do decreto aos dois interessados, que, em seguida, se recusaram a aceitar o documento. “Nós não o aceitamos, porque nós questionamos o conjunto do procedimento”, declarou Martha Heizer à radio austríaca.
Na manhã desta quinta-feira, ela explicou em um comunicado estar “profundamente chocada com o fato de ser colocada na mesma categoria que os padres pedófilos”. Para ela, “este procedimento mostra a que ponto a Igreja católica tem necessidade de renovação”.
Missas privadas
O motivo das duas excomunhões? Eucaristias privadas celebradas sem padre na casa do casal. Há muitos anos, Martha Heizer não oculta o fato de que ela e seu marido acolhem em sua casa essas celebrações, das quais alguns fiéis participam regularmente. Essas simulações de eucaristias constituem ‘delicta graviora’ (delitos graves) para a Igreja católica.
“O assunto provocou muito barulho desde 2011”, explica o Tiroler Tageszeitung, com a intervenção do bispo local. A Congregação para a Doutrina da Fé anunciou, na sequência, a criação de uma comissão.
Martha Heizer é a presidente do movimento reformista desde o dia 07 de abril último. Um movimento criado na Áustria em 1995 e do qual ela é uma das fundadoras. Com 67 anos, Martha Heizer é conhecida por suas posições favoráveis à ordenação de mulheres e a “uma renovação da Igreja através dos leigos”, precisa o jornal Die Welt. Desde 2012, ela preside o International Movement We are Church, o Movimento Internacional Nós somos Igreja.
Por esta decisão, Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, continua fiel às suas posições anteriores: em 2009, quando estava à frente da diocese de Regensburg, o prelado alemão suspendeu Paul Winckler, presidente alemão do Wir sind Kirche.

O bispo de Inssbruck confirma
No final da tarde desta quinta-feira, o bispo Manfred Scheuer confirmou à Apic, “a auto-excomunhão” de Martha Heizer e de seu marido. Ele lembra que a realização dessas eucaristias sem padre, reveladas pela televisão austríaca ORF em 2011, o obrigaram a abrir uma investigação e a “tomar medidas legais”. Foi para ele “um fracasso (...) o fato de não ter convencido os esposos Heizer a rever sua opinião e, assim, evitar este procedimento”. Ele precisa ainda à Apic que “a constatação desta ‘auto-excomunhão’ não é uma vitória, mas uma derrota para a Igreja” e que é com “grande pesar” que ele a executa.
“Como a eucaristia essencialmente é a festa de toda a Igreja, não pode haver ‘eucaristia privada’”, prosseguiu o bispo de Innsbruck. “Os critérios de validade da eucaristia não podem depender da vontade subjetiva e do estado de espírito das pessoas envolvidas”.
De acordo com as informações da Apic, o movimento Nós somos Igreja deverá organizar em Roma, em outubro próximo, um “sínodo paralelo” ao sínodo extraordinário sobre a família, que acontecerá no Vaticano.



Observação. Você pode verificar que num dos primeiros posts deste blog apresentei esse movimento internacional; sou adepto dele, só que ressalvei na ocasião que não concordava com uma das reivindicações: ordenação sacerdotal das mulheres. Em 2011 postei um texto  (dividido em 3) intitulado: A Igreja precisa do sacerdócio também de mulheres? (8/10/2011) argumentei que não precisa do sacerdócio, nem de homens nem de mulheres. Jesus não instituiu um sacerdócio.  Discorri sobre isso nos cinco posts seguidos a partir de 10/07/2010. Por isso o casal excomungado estava absolutamente certo, de acordo com o Novo Testamento e com a prática das primeiras comunidades cristãs. Essas chamadas "missas privadas", nem são privadas, nem simulações de missa, como refere o texto. Nem são também "a festa de toda a Igreja". São reunião da comunidade de fé para realizar a autêntica Eucaristia que é Memorial da Nova Aliança, como também mostrei nos três posts seguidos a partir de 7/7/2012. Completamente errado está o Vaticano com essa excomunhão.




segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sinodalidade equivale à democratização na Igreja. (p 136)

Recentemente o papa Francisco concedeu uma entrevista às Revistas da Companhia de Jesus (jesuítas); dois teólogos espanhóis de prestigio fizeram uma avaliação da conversa, cada um focalizando um aspecto:José Maria Castillo destacou a SINODALIDADE e Juan Masiá, o DISCERNIMENTO. Hoje vou me ater apenas à sinodalidade, pois é um tema muito pertinente ao objetivo deste blog, tanto que já abordei em 2012 no p 107 de 21/10 sob o título, Sinodalização da Igreja; nele defendi e encareci esse processo. 

A compilação é de José Manuel Vidal, publicada pelo sítio Religion Digital. A tradução é do Cepat. A divulgação é do IHU Noticias de 24/9/2013.

De Gregório VII a Francisco
“O futuro da Igreja está na recuperação de seu passado. O passado que nos leva diretamente ao galileu Jesus de Nazaré. Se não partirmos por esse caminho, a Igreja não irá a lugar algum. Se o Evangelho é o centro, o decisivo não será a religião. O centro será a humanidade, tudo o que nos humaniza. Por isso, o Papa é notícia mundial”, enfatiza o teólogo José Maria Castillo .



Eis o artigo.
Tenho a impressão de que somos muitos os católicos, e muitos os cidadãos, que ainda não nos demos conta da extraordinária importância que implica a longa entrevista que o papa Franciscotornou pública, para tornar conhecidas suas ideias e seus projetos.
Papa é claro no que diz. É de enorme interesse o que Francisco afirma sobre a moral sexual, a respeito da qual ferrenhamente o clero tanto insiste, sobre suas ideias políticas, sobre a misericórdia e a bondade que todos nós, seres humanos, devemos colocar em prática, sobre a religiosidade e outras questões que seria demorado enumerar. No entanto, o assunto mais importante tratado pelo Papa, em meu modo de ver, suspeito que escapa para muita gente. Trata-se de que a teologia, como acontece com a biologia ou a medicina, não está ao alcance de todo mundo. Mesmo assim, jornalistas e comentaristas, que não se atreveriam a opinar sobre questões técnicas de biologia, avaliam tranquilamente assuntos teológicos que exigem muitos anos de estudo e reflexão.

Porém, vamos ao assunto que interessa. Há cerca de mil anos, em 1073, foi eleito papa um monge que assumiu o nome de Gregório VII. Eram tempos ruins para a Igreja. Como se sabe, as investiduras estavam no auge. Os senhores feudais nomeavam bispos, abades, e todo tipo de cargos eclesiásticos de acordo com o seus caprichos (ou segundo suas conveniências). A Igreja estava nas mãos dos leigos, no pior sentido que esta afirmação possa ter. Foi então que Gregório VII decidiu acabar com esta situação, que era necessário e urgente. Contudo, para conseguir êxito, não lhe veio outra solução a não ser concentrar todo o poder da Igreja no papa.

O critério determinante foi formulado pelo melhor conhecedor desta história, Y. Congar: “Obedecer a Deus significa obedecer à Igreja, e isto, por sua vez, significa obedecer ao papa e vice-versa”. Gregório VII afixou suas convicções num famoso documento que consistia em 27 contundentes axiomas, que são resumidos em três critérios patéticos: 1) o papa é senhor absoluto da Igreja; 2) o papa é senhor supremo do mundo; 3) o papa se converte indubitavelmente em santo (H. Küng).
Ao atribuir para si estes poderes, Gregório VII encerrou uma longa etapa de dez séculos na história da Igreja. Séculos nos quais a Igreja floresceu, cresceu e forjou uma cultura, que o monge Hincmaro de Reims soube sintetizar de forma admirável: “A Igreja se expressa em plenitude nos concílios ecumênicos, regulando sua vida histórica por meio dos sínodos em que se reúnem os bispos de uma determinada região”. O que quer dizer que o governo ordinário da Igreja não era gerido a partir de Roma, mas mediante os sínodos locais, que eram presididos pelos bispos de uma região. Sempre tomando as decisões democraticamente, com a participação de todos os membros de cada sínodo local. As nomeações de bispos, as leis litúrgicas e canônicas, etc, eram adotadas nos sínodos. 

Igreja não tinha uma estrutura de governo “curial”, mas “sinodal”. Somente assim eram conhecidos os problemas que se precisava resolver, tomando-se as decisões adequadas. Deste modo, aquela Igreja contou com uma vida crescente, durante mil anos.
O atual bispo de Roma, o papa Francisco, acaba de anunciar a todos que a Igreja retoma o governo sinodal. Será como aquele do primeiro milênio? Não pode ser idêntico, contudo, pelo que foi dito pelo papa, certamente, irá por esse caminho. Disse Francisco em sua recente entrevista:

“Os dicastérios romanos estão a serviço do Papa e dos bispos: têm que ajudar as Igrejas particulares e as conferências episcopais. São instâncias de ajuda. Mas, em alguns casos, quando não são bem entendidos, correm o risco de se converterem em organismos de censura. Impressiona ver as denúncias de falta de ortodoxia que chegam a Roma. Penso que quem deve estudar os casos são as conferências episcopais locais, às quais Roma pode servir de valiosa ajuda. A verdade é que os casos são tratados melhor no próprio local. Os dicastérios romanos são mediadores, não intermediários nem gestores.”
Esta é a ideia que Francisco tem sobre o papel que corresponde às Congregações da Cúria Vaticana. O Papa as coloca a serviço das Conferências Episcopais. E não ao contrário.
Todavia, a coisa não fica só nisto. O redator da entrevista relembra que no último dia de São Pedro, 29 de junho, o papa definiu “a via da sinodalidade” como o caminho que conduz a Igreja unida “a crescer em harmonia com o serviço do primado. Em consequência, minha pergunta é esta: Como conciliar harmonicamente primado petrino e sinodalidade? Que caminhos são praticáveis, inclusive na perspectiva ecumênica?” Esta pergunta é forte e assim que se começar a colocar em prática o projeto apontado, tudo mudará. Porque, no fundo, o que diz é que todos nós, cristãos, sentaremos juntos – independente da confissão de cada um – para seriamente dividirmos nossas propostas, até chegarmos ao feliz dia de recuperação da unidade perdida. Por isso, sem dúvida, o próprio Francisco seguiu dizendo:
“Devemos caminhar juntos: as pessoas, bispos e o Papa. Devemos viver a sinodalidade em vários níveis. Talvez seja tempo de mudar a metodologia do sínodo, porque a atual parece-me estática. Isto poderá também ter valor ecumênico, especialmente com os nossos irmãos ortodoxos. Deles se pode aprender mais sobre o sentido da colegialidade episcopal e sobre a tradição da sinodalidade. O esforço de reflexão comum, vendo o modo como se governava a Igreja nos primeiros séculos, antes da ruptura entre Oriente e Ocidente, acabará dando frutos”. E o redator acrescenta estas palavras de Francisco, palavras que precisam remover as bases da teologia: “Temos que caminhar unidos nas diferenças: não existe outro caminho para nos unirmos. O caminho de Jesus é esse”.
Com uma adição final que cala a boca daqueles que vivem do protesto contra o que vem de Roma:
“É necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja. Temo a solução do “machismo de saias”... As mulheres têm vindo a colocar perguntas profundas que devem ser tratadas... O gênio feminino é necessário nos lugares em que se tomam as decisões importantes. O desafio hoje é exatamente esse: refletir sobre o lugar específico da mulher, precisamente também onde se exerce a autoridade nos vários âmbitos da Igreja”.
Este papa é notícia mundial porque assumiu seriamente o Evangelho. E mais seriamente ainda, a centralidade de Jesusna vida. O central não é a religião e seus ritos, nem os dogmas e suas ortodoxias. Francisco não fala sobre nada disso. Aqui, não se escuta a monotonia da pregação clerical, moralizante, ameaçadora e frequentemente excludente. O futuro daIgreja está na recuperação de seu passado. O passado que nos leva diretamente ao galileu Jesus de Nazaré. Se não partirmos por esse caminho, a Igreja não irá a lugar algum. Se o Evangelho é o centro, o decisivo não será a religião. O centro será a humanidade, tudo o que nos humaniza. Por isso, o Papa é notícia mundial.



quinta-feira, 1 de maio de 2014

A divulgação oficial estaria próxima. (p 135)

Continuação do post anterior



A  Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano promoveu uma Conferencia de 5 dias, em novembro de 2009, sobre  Astrobiologia. O maior incentivador do encontro foi o diretor do Observatório do Vaticano, o jesuíta José Gabriel  Funes. Cerca de 30 especialistas internacionais em física, astronomia e biologia participaram; vários eram não crentes.
Funes , em maio de 2008 deu uma entrevista ao jornal oficial do Vaticano dizendo que a existência de extraterrestres inteligentes não colocava nenhum problema para a teologia católica.

Essa abertura do Vaticano para a discussão de vida extraterrestre inteligente, é parte de uma política de abertura ou desacobertamento, adotada secretamente pelas Nações Unidas  - ONU  - desde de fevereiro de 2008. O Vaticano tem um papel preponderante na preparação da população do mundo católico, para um anúncio formal da presença dos aliens entre nós.

Essa nova abertura do Vaticano é consistente com  relatórios de discussões  secretas realizadas na ONU, iniciadas em 2008. O representante diplomático permanente do Vaticano nas Nações Unidas, arcebispo Celestino Migliore, participou de discussões junto com outros diplomatas para discutir o aumento dos avistamentos de OVNIS  e as implicações da visita dos aliens. Dessas discussões uma nova política de abertura  foi adotada por 30 nações a partir de 2009.
O patrocínio da Conferencia pelo Vaticano foi um verdadeiro “marco.” Mostrou que ele estava disposto a iniciar um diálogo global sobre as implicações teológicas da descoberta de vida extraterrestre inteligente.

Essa Conferencia é mais um sinal de que, grandes instituições globais estão se preparando para algum tipo de divulgação formal/oficial  sobre nossos "irmãos cósmicos"; resultado também das reuniões secretas da ONU anteriormente apontadas. Percebe-se que o Vaticano está preparando também o seu público para isso. Numerosas fontes preveem que tal divulgação é iminente e que a administração Obama deve desempenhar um papel de destaque.
A posição teológica do Vaticano, de que os aliens são nossos irmãos, é uma posição mais bem vinda, do que outras ideias mais hostis de vida extraterrestre, encontradas em algumas denominações religiosas e em filmes de Hollywood.  



Tudo isso, inclusive a aproximação da enorme massa de energia que seria o planeta-cometa Nibiru referida no post anterior, com suas consequências desastrosas, nos provoca  para uma reflexão indispensável:  situações calamitosas que atingirão de alguma forma, a humanidade inteira, vão exigir que sejamos muito mais, aquilo que temos sido muito pouco, isto é, solidários de verdade, menos violentos, menos consumistas, menos egoístas, menos competidores e mais colaboradores. Será uma crise para crescimento espiritual e moral que nos forçará a passar de nossas atitudes nefastas de moleques, para uma nova responsabilidade adulta coletiva, destruindo nossa arrogância e orgulho diante do poderio da natureza e da superioridade evidente dos extraterrestres. Uma nova humanidade poderá ressurgir, finda a tempestade. O homem predador da natureza e dos seus semelhantes, despertará  sua consciência para uma nova era de amor verdadeiro. 

Este texto é em grande parte um resumo do artigo:Vaticano e a revelação de vida extraterrestre, publicado (março de 2014) pelo site thoth3126 . Fonte www.examiner.com   EXOPOLITICA  - por Michael Salla

sábado, 19 de abril de 2014

João XXIII e o alien .O que conversaram? ( p 134 )


No próximo 27 de abril, o Vaticano em festa, celebrará  a canonização de dois papas, isto é,  ficarão “oficialmente” santos: João Paulo II e João  XXIII. Já publiquei neste blog textos com minha desaprovação em santificar João Paulo II. Quanto a João XXIII  empreendedor do Concilio Vaticano II,  até onde eu sei, não desmerece o título. Até os alienígenas o prestigiaram!!

Há vários anos está divulgado na  internet, um episodio de contato de um extraterrestre com João  XXIII. Apresento um resumo. Em 1961, no jardim da residência de verão dos papas em Castel Gandolfo, João 23 e seu assistente, o bispo Loris Capolvilla, hoje um dos cardeais mais idosos,  caminhavam. Desceu uma espaçonave sobre o jardim. Um ser com forma humana, mas com orelhas alongadas, saiu e parou. Perplexidade nos dois religiosos. Após alguns minutos o papa se aproxima. Os dois ficam juntos de 15 a 20 minutos. O secretário, a distancia, não conseguiu ouvir se conversavam,  mas parecia que sim.O viajante  embarca na nave e some. O papa volta e diz ao assistente: ”Os filhos de Deus estão em todas as partes: algumas vezes temos dificuldade em reconhecer a nossos próprios irmãos”. Só em 2005 Loris contou à imprensa, pois o papa teria dito que o episodio deveria ficar em segredo.

Hoje não são muitos os que desacreditam da existência de vida inteligente ( e que inteligências!!! ) fora da Terra.Em maio de 2008 o Vaticano declarou a possibilidade de existência de extraterrestres e que isto não afetava a crença em Deus.
O que pode surpreender especialmente os católicos, é se ficarem sabendo, o quanto o Vaticano investe em observatórios  astronômicos, em várias partes do mundo, para pesquisa do espaço sideral.
Vou resumir algumas das muitas informações a respeito, divulgadas na internet. No final apontarei algumas fontes para ajudar você a pesquisar e formar sua própria opinião.

Depois do famosíssimo “caso Roswell”, do disco voador que se acidentou e caiu no Novo México (USA) matando ao que parece, os seus ocupantes ,  em fevereiro de 1954, o presidente dos EUA  Dwight Eisenhower montou uma reunião secreta com alguns humanos e presumivelmente com uma delegação de alienígenas, na Base Militar de Muroc  (California) atualmente Base Edwards,  para formalizar um acordo sobre o relacionamento entre humanos e os aliens. Dentre os 4 ou 5 convidados civis ( o resto eram militares e do governo) estava o bispo de  Los Angeles, James Francis Mcintyre.
Finda a reunião todos foram proibidos de revelar qualquer coisa. Passados uns dias o bispo voou para Roma e contou tudo ao papa que na época era Pio XII.
Resultado: por ordem de Pio XII, o bispo de Los Angeles e o de Detroit, começaram a organizar  uma espécie de Serviço de Investigação Vaticana (SIV) em segredo, com um ambicioso Programa  Espacial  apelidado de  K (Kerigma = revelação) . Objetivo era coordenar informações sobre a questão dos extraterrestres e exploração espacial em colaboração com Comissões Secretas do governo dos EUA.
Três Observatórios foram se concretizando. No Arizona (EUA) , no Chile e no Alaska.

O Vaticano, com parceria da Universidade do Arizona,  montou um telescópio de singular potencia porque dotado de uma tecnologia avançada de lentes e espelhos que permitem captar imagens em infravermelho. Fica no Monte Graham, no Arizona. Rotulado de VATT, ou seja, Telescópio de Tecnologia Avançada. É o 1º infravermelho do mundo. Curiosamente o Monte Graham está localizado entre a “Área 51”,no estado de Nevada e Roswell no Novo México, áreas com maiores casos de UFOS dos EUA.
A direção deste Observatório, como dos outros dois, está entregue a ordem dos Jesuítas.
No Alaska montaram secretamente um Rádio –telescópio. Este dispositivo não aparece como oficialmente pertencente ao Vaticano.Está camuflado. Os jesuítas também estão na direção.
No norte do Chile, no deserto do Atacama,  também tem um poderoso telescópio do Vaticano.

Não parece muito estranho que o estado do Vaticano, que deveria estar voltado para promover a fé católica, se envolva dessa forma com a ciência astronômica?  Certamente;  a não ser que se conheça um dos mais explosivos achados da arqueologia: as placas de argila escritas em cuneiforme, encontradas nas ruínas da biblioteca do palácio de Assurbanipal, na Babilônia, onde ficava a Suméria.  O cientista  Zacharias Sitchen  (morto em 2.010), estudou e interpretou os caracteres cuneiformes e publicou em livros seu conteúdo. Em resumo diz que a civilização sumeriana teve intensa relação com os extraterrestres e estes lhes falaram de um planeta em que habitavam chamado Nibiru, com uma órbita em volta do sol muito alongada.  Recentemente alguns astrônomos dão sinais de que parece que esse Planeta X, ou Hercólubus,  como o chamam, está voltando e em certo momento irá passar próximo a terra. O problema é que ele parece ser maior que o planeta Júpiter, portanto uma intensa força gravitacional e um campo magnético vigoroso, capazes de provocar possíveis grandes mudanças  geofísicas na terra e outros planetas e no próprio sol.

Pois bem; os astrônomos do Vaticano,  mostram grande interesse na passagem desse planeta-cometa, como alguns o chamam. Diante disso montaram um projeto para tentar fotografá-lo, denominado projeto Siloe, (Jo.9,7),  em parceria com os EUA. Mandaram construir uma Sonda Espacial (pela Cia.Lockheed  Martin). Para colocá-la em órbita  os militares americanos  utilizaram um tipo de aeronave de um projeto secreto chamado Aurora, que não é um foguete mas um tipo de avião que pode sair da atmosfera. O lançamento foi a partir de uma base secreta dos EUA na área 51 . Consta que a Sonda tirou fotos e voltou enviando as fotos para a base no Alaska. Um filme com essas fotos foi, anos após, apresentado ao publico em reuniões. Está na internet.

Numa entrevista em  1977 foi perguntado ao jesuíta Malachi  Martin,  se o Vaticano não estava extrapolando de sua missão, com esse tipo de atividades. Por que faziam isso? Malachi teria respondido que, os que estão em níveis mais elevados na administração do Vaticano e os geopolíticos, sabem que o que está a se aproximar, poderá assumir uma importância vital nos próximos 5 ou 10 anos.

A  NASA  também opera uma base com telescópio no Polo Sul, que está seguindo continuamente o caminho do Planeta X em aproximação com a órbita da Terra. Começou em 16/02/2007.

 Colhi essas informações em vários sites. Um,  porém, se destaca pela riqueza de dados e confiabilidade. É o  thoth3126.com.br  através do título: O regresso do “Planeta X”, o Vaticano sabe. Partes 1 e 2. Transcrição da entrevista do Projeto Camelot com Luca Scantamburlo.

Você  pode pesquisar no YOU TUBE digitando os títulos: PROJETO CAMELOT  que faz entrevistas sérias; destaque para as entrevistas com Bob Dean;  SUMERIA, UMA VERDADE SILENCIOSA ( 5 partes); ERAM OS DEUSES  ASTRONAUTAS ? etc. etc.O Projeto  CAMELOT como o do dr.Steven Greer,  são projetos de DESACOBERTAMENTO da presença extraterrestre, em oposição ao acobertamento que em geral,  fazem os governos. Pesquisando você verá que há vários vídeos sensacionalistas e catastróficos. Descarte-os.
No próximo post tenciono trazer mais algumas informações a respeito.



terça-feira, 1 de abril de 2014

Surpresa Vaticana sobre as CEBs (p 133)

Quinta, 13 de  março de 2014    IHU  
A importância das CEBs para as famílias: A proposta desconcertante de Walter Kasper
"Sob o conceito de 'Igreja doméstica', Kasper amplia o seu sentido por meio de uma visão paulina, deixando de lado aquela percepção reduzida na 'família nuclear', e vê a necessidade 'de grandes famílias de um novo tipo'", escreve Sérgio Ricardo Coutinho, mestre em História pela Universidade de Brasília - UnB e doutorando na mesma área pela UFG. É professor do curso de pós-graduação lato sensu em História do Cristianismo Antigo da UnB e presidente do Centro de Estudos em História da Igreja na América Latina - CEHILA-Brasil. É assessor nacional da Comissão Episcopal para o Laicato - CEBs.

Eis o artigo. (divulgado pelo IHU noticias )

Depois da grande novidade que foi o envio de uma mensagem por parte do papa Francisco aos participantes do 13º Intereclesial das CEBs, algo inédito na história destes encontros, agora uma nova surpresa.
Também vinda de Roma, esta se fez chegar por meio do recente discurso proferido pelo cardeal Walter Kasper no Consistório que debateu o tema do próximo Sínodo: a Família. A surpresa, pouco percebida porque os analistas e jornalistas estão ávidos por alguma mudança acerca do tema do acesso a Eucaristia para os casais em segunda união, diz respeito à sugestão pastoral proposta pelo cardeal para ajudar no fortalecimento dos núcleos familiares: as Comunidades Eclesiais de Base (“Igrejas domésticas”).
De fato, o papa Francisco já havia chamado a atenção para a importância delas na superação da “tentação do clericalismo” quando do seu discurso aos membros do CELAM no Rio de Janeiro em 28/07/2013. Para o Cardeal Kasper, as CEBs já não são mais “uma esperança para a Igreja universal” (EN 58, 71), mas que “se tornaram uma receita pastoral de sucesso”.
Documento de Aparecida já chamava a atenção para a necessidade de uma conversão pastoral em vista de uma Igreja mais missionária, para isso sugeria no nº 372, em vista de uma reforma nas estruturas, além da setorização da paróquia em unidades territoriais menores, “a criação de comunidades de famílias que fomentam a colocação em comum de sua fé cristã e das respostas dos problemas”.
Sob o conceito de “Igreja doméstica”, Kasper amplia o seu sentido por meio de uma visão paulina, deixando de lado aquela percepção reduzida na “família nuclear”, e vê a necessidade “de grandes famílias de um novo tipo”. Para que as famílias nucleares possam sobreviver elas precisariam, segundo ele, “estar inseridas em uma coesão familiar (...), em círculos interfamiliares de vizinhos e amigos em que as crianças possam ter um refúgio na ausência dos pais, e em que os idosos sozinhos, os divorciados e os pais sozinhos possam encontrar uma espécie de casa”.
Exatamente sobre isso falaram os bispos do Brasil em sua “Mensagem ao Povo de Deus sobre as Comunidades Eclesiais de Base (CNBB, doc. 92): “É preciso valorizar as experiências de solidariedade básica (...). O cultivo da reciprocidade tem como espaço primeiro aquele onde a vizinhança territorial é importante para a vida cotidiana, como em áreas rurais, bairros de periferia e favelas. É a solidariedade entre vizinhos – melhor dizendo, entre vizinhas – que assegura o cuidado com crianças, idosos e doentes, por exemplo”. (p. 8)
Kasper também surpreende ao buscar nas experiências das Igrejas Metodistas sua definição de “Igreja Doméstica”: “eclesiola in ecclesia, uma Igreja pequena dentro da Igreja”. E foi no “fim do mundo”, na América Latina, África e Ásia, que estas “Igrejas domésticas” assumiram um rosto na forma de “comunidades cristãs de base” (Basic Christian Communities) ou de “pequenas comunidades cristãs” (Small Christian Communities).
Documento de Aparecida procurou usar estes mesmos dois termos (só com uma pequeníssima variação, ao invés de “cristã” se escreve “eclesial”: “comunidades eclesiais de base” e “pequenas comunidades eclesiais”), mas dando a entender que seriam realidades diferentes. Os nos 178 e 179 descrevem bem as características eclesiológicas fundamentais das CEBs, mas nos nº 99(e), 178 e 180, procura admoestá-las para a necessidade de se manterem em “fidelidade ao Magistério” para não perderem seu sentido eclesial. Com o intuito de “higienizar” as CEBs, Aparecida oferece um termo mais “asséptico” de “pequenas comunidades eclesiais” e faz uma descrição delas nos nos 307 ao 310. Sabe-se muito bem que estes “acréscimos” foram impetradas pelo falecido cardeal Afonso Lopez Trujillo.
Em sentido contrário, o cardeal Walter Kasper não cai nesta “paranoia trujiliana” e as descreve em sua plenitude eclesiológica com aqueles seus elementos estruturantes: martyria, kérigma, leitourghia, koinonia e diakonia. As “comunidades eclesiais de base” (Igrejas domésticas) “se dedicam à partilha da Bíblia”, da Palavra de Deus “obtêm luz e força para a sua vida cotidiana” sendo “chamadas de modo particular a transmitir a fé no seu respectivo ambiente”, possuem “uma tarefa profética e missionária” e “o seu testemunho é sobretudo o testemunho de vida, através do qual podem ser fermento no mundo” (testemunho de fé); “têm a importante tarefa catequética de guiar rumo à alegria da fé” e “a evangelização é a sua identidade mais profunda”(anúncio); “rezam juntas pelas próprias intenções e pelos problemas do mundo” e a “eucaristia dominical [é] celebrada por elas junto com a comunidade inteira como fonte e cume de toda a vida cristã” (celebração da fé); “são lugares de uma espiritualidade da comunhão na qual nos aceitamos reciprocamente em espírito de amor, de perdão e de reconciliação, e em que se compartilham alegrias e dores, preocupações e tristezas, contentamento e felicidade na vida cotidiana, no domingo e nos dias de festa” (comunhão); e estão sempre ao lado dos “sofredores de todos os tipos, às pessoas simples e aos pequenos”, sabendo que “Reino de Deus pertence às crianças” (serviço).
No momento em que a Igreja do Brasil se vê debatendo o documento de estudos proposto pela CNBB, “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, este discurso do cardeal Walter Kasper confirma a opção pastoral que foi feita aqui ainda durante o Concílio Vaticano II. Por isso, ele acerta em cheio no seu diagnóstico: “sem as Igrejas domésticas”, sem as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), “a Igreja é alheia à realidade concreta da vida. [Elas] São o caminho da Igreja”.


sexta-feira, 14 de março de 2014

As CEBS estão ressurgindo.Benvindas"! (p 132)


De 7 a 11 de janeiro deste ano, aconteceu em Juazeiro do Norte (CE) o 13º  Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, com o tema    JUSTIÇA E PROFECIA A SERVIÇO DA VIDA. Quem segue meu blog sabe da máxima importância que dedico ao tema COMUNIDADE CRISTàem geral e às CEBS em particular.Nos primeiros 25 posts tem muitos sobre CEBS e Comunidade  ( posts - p - 6,11,12,13,14 a 20, 22 e 23 ) fora outros mais recentes. O post  " Comunidade, essência da fé cristã," publicado em 24/4/12 é a página  mais visitada: 195 até hoje.Outros artigos virão sobre esse tema.O artigo do Malvezzi foi publicado na Agencia ADITAL


Intereclesial emblemático.
Roberto Malvezzi (Gogó)

O 13º Intereclesial das CEBs tem, pelo menos, três elementos emblemáticos, como se fossem um divisor de águas entre os anteriores e o futuro das comunidades eclesiais de base.

 Primeiro, ele foi realizado no Juazeiro do Norte, Ceará, nas terras do Pe. Cícero. Esse padre, influenciado por seu predecessor nas missões do sertão nordestino, Pe. Ibiapina, fez de sua vida uma radical opção pelos pobres. São da mesma linhagem os “beatos e beatas”, como Zé Lourenço, Maria Araújo e Conselheiro, pessoas que sentiram chamadas a dedicar suas vidas às populações esquecidas daquele tempo. Influenciados por Ibiapina, esses homens e mulheres fundaram suas comunidades inspirados nas primeiras comunidades citadas nos Atos dos Apóstolos.
 É bom lembrar que há 150 anos, em tempos de seca, o sertão era praticamente um deserto. Foi aos famintos, sedentos, vítimas do cólera pela água contaminada, aos órfãos, que esses homens e mulheres dedicaram a plenitude de suas vidas. Por isso, para muitos, eles são os pioneiros no Brasil das atuais comunidades eclesiais de base e também da Teologia da Libertação, já que o ponto de partida eram os pobres, não como objetos de caridade, mas como sujeitos de sua história já ao final do século XIX.

 Segundo, pela primeira vez um papa envia uma carta de apoio às comunidades eclesiais de base. O contentamento dos presentes era visível. Afinal, durante as últimas décadas, em grande parte do Brasil e do continente, essas comunidades foram abandonadas, quando não perseguidas e caluniadas, sobretudo por aqueles que desejam uma Igreja distante do povo e fechada em si mesma. Por isso, o povo também enviou uma carta de gratidão ao Papa.

Terceiro elemento é que não havia euforia e nem triunfalismo no Juazeiro do Norte, mesmo que tenha sido um evento grandioso, com belíssima liturgia e momentos de entusiasmo. Todos estão conscientes que, se a Igreja quer ser mesmo uma “rede de comunidades”, como diz o documento 104 da CNBB, então cabe um desafio pastoral imenso de formação das comunidades eclesiais de base, de retomada de sua organização, de apoio na formação em todos os níveis, da criação de espaços que lhes sejam próprios, liberação de pessoas, recursos e tudo mais que se faz necessário no cotidiano pastoral.

O novo é que elas sejam também missionárias, formando novas comunidades e novas lideranças. Além do mais, agora estamos em pleno século XXI, um contexto de mudança de época, com as novas tecnologias, as redes sociais, a pluralidade religiosa, pluralidade de valores, as mudanças radicais no clima do planeta, assim por diante. Esse é o desafio: como continuar, tendo a inspiração originárias das primeiras comunidades num mundo em imensurável  transformação?
 Como será o futuro só a história dirá. Porém, quem tiver um pouco de boa vontade, pode ver aí claros sinais dos tempos.



terça-feira, 11 de março de 2014

Visite meu outro blog.

Tenho também um outro blog focado nos assuntos de justiça e solidariedade, essenciais na vivencia  de um seguidor de Jesus. Chama-se  SERVIR UNS AOS OUTROS.

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sábado, 1 de março de 2014

João Paulo II "santo" ? parece piada ! (p 131)


O cardeal prefeito da Congregação para as causas dos santos disse à rádio do Vaticano que somente o papa Francisco sabe ao certo a data em que vai anunciar os 2 papas santos  ( João 23 e João Paulo II), embora ele já tenha dado a entender que provavelmente será em 2014, noticiou o IHU on-line em agosto passado. Mas várias críticas tem surgido com referencia a João Paulo II. Uma delas, o Dermi Azevedo apontou em texto divulgado pela agencia Carta Maior em dezembro último.


"Com a sua canonização prevista para 2014, o papa João Paulo II, atualmente na lista dos beatos católicos, foi um dos colaboradores mais leais da Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), antes mesmo de ser eleito para o pontificado católico romano. A sua primeira audiência como Papa foi dada ao diretor geral da agência norte-americana de informações, William Casey, em 1978.

O arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyla, forneceu informações consideradas “valiosas” à CIA sobre a resistência polonesa ao regime comunista da Polônia. Esse apoio favoreceu substancialmente as atividades do sindicato Solidariedade, liderado pelo metalúrgico Lech Walesa e representou a ultima pá de cal no fim do regime polonês.

Memórias 

O ex-diretor da CIA e ex-embaixador dos EUA no Brasil, general Vernon Walters, apresenta, em suas memórias, alguns exemplos desse entendimento entre o Vaticano e a Casa Branca.

Walters – que era vice–diretor geral da CIA - afirma que uma das principais preocupações do presidente Ronald Reagan era a de manter o Papa informado sobre as despesas militares dos EUA. Nesse sentido, determinou que esse embaixador se reunisse de dois em dois meses, com João Paulo II, no Vaticano.

Um detalhe: o diplomata deveria levar consigo fotografias via satélite dos países do bloco soviético e das regiões estratégicas para Washington. Afirma que, numa dessas audiências, mostrou ao Papa uma base soviética, supostamente com 13 silos contendo centenas de mísseis. “Santidade, cada míssil possui 10 ogivas. O que o senhor está vendo corresponde à morte de 130 cidades americanas ou européias”. Walters diz que o Papa afirmou: “Compreendo exatamente o que o senhor apresenta”.

O general Walters foi também embaixador dos EUA no Brasil nos anos 70, no auge da repressão da ditadura de 1964.

Colaboração antiga

A colaboração de João Paulo II com a CIA aconteceu também nos anos 80 com dois objetivos: desestabilizar o governo sandinista da Nicarágua e desautorizar a Teologia da Libertação. As duas metas foram atingidas e somente agora, com a eleição do papa Francisco I, essa corrente teológica foi oficialmente reabilitada.  

Aliança de interesses

Tanto diplomatas norte-americanos, quanto do Vaticano, descrevem a relação estreita entre os dois interlocutores como uma “aliança de interesses”. A Casa Branca pretendia favorecer a Igreja Católica Romana na sua politica de expansão da sua hegemonia especifica. E o Vaticano, atendia também ao propósito dos EUA de avançar na sua politica também expansionista e hegemonista."


Sexta, 26 de julho de 2013

As vítimas de Maciel pedem que a canonização de João Paulo II seja interrompida

As vítimas dos abusos de Marcial Maciel (na foto, abraçando o papa João Paulo II) iniciaram um movimento para frear a canonização de João Paulo II, a quem acusam de acobertar o fundador dos Legionários de Cristo. A iniciativa acontece após ONU solicitar informação ao Vaticano sobre alguns casos de pedofilia, entre eles, os cometidos por Maciel.
Fonte: http://goo.gl/v7oAAF
A reportagem é publicada no sítio Religión Digital, 24-07-2013. A tradução é do Cepat.
Francisco deveria suspender o processo do beato João Paulo IIaté conhecer as recomendações que serão formuladas pelasNações Unidas”, apontaram as vítimas, que consideram que pelo estabelecido nas normas canônicas, os santos são pessoas que tiveram uma vida “irrepreensível”, enquanto que João Paulo II é questionado por vários casos de acobertamento, não apenas ao de Marcial Maciel. Seu pontificado foi marcado pela crise provocada pelos milhares de casos de abusos sexuais de sacerdotes a crianças. Os primeiros que se tornaram públicos foram os que ocorreram nas igrejas dos Estados Unidos.
A convocação da ONU ao Vaticano, para revelar os detalhes dos abusos sexuais na Igreja católica, é um “fato histórico” que permitirá conhecer a verdade sobre uma tragédia que atingiu milhares de menores em todo o mundo, disse o ex-sacerdote Alberto Athié.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Para a Gebara, a visita do papa deixou a desejar ( p 130)

Seu sobrenome ecoa a revolução na América LatinaIvone Gebara (foto) é brasileira, freira e feminista. Pertence à Congregação das Irmãs de Nossa Senhora - Cônegas de Santo Agostinho - e há décadas vive no Nordeste do Brasil, numa vida de “inclusão” no meio popular. Atualmente reside em Camaragibe, na periferia de Recife. De dentro da Igreja, procura mudá-la. Dedica-se, fundamentalmente a partir de uma teologia feminista, desconstruir o direito natural, patriarcal e machista que a hierarquia católica pretende impor. Devido as suas posições, especialmente em favor da despenalização e legalização do aborto, recebeu severos castigos impostos pelo Vaticano. Porém, Ivone não se cala. 

Ela nasceu em 1944. É doutora em Filosofia pela Universidade Católica de São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Lovaina (Bélgica). Durante 17 anos, lecionou no Instituto de Teologia de Recife, até a sua dissolução ordenada pelo Vaticano, em 1999, como uma forma de silenciá-la. Desde então, dedica o seu tempo, principalmente, para escrever, dar cursos e conferências sobre a hermenêutica feminista, novas referências antropológicas e a ética e os fundamentos filosóficos e teológicos do discurso religioso. 

É autora de mais de 30 livros e de dezenas de artigos e ensaios, entre eles: “Trindade: palavra sobre coisas velhas e novas. Uma perspectiva ecofeminista” (1994), “Teologia ecofeminista: ensaio para repensar o conhecimento e a religião” (1997), “Rompendo o silêncio: uma fenomenologia feminista do mal” (2000), “Mulheres de mobilidade escravas: as mulheres do nordeste, uma vida melhor e feminismo” (2000), “As águas do meu poço. Reflexões sobre experiências de liberdade” (2005); “O que é teologia?” (2006), “O que é teologia feminista?” (2007), “O que é cristianismo?” (2008) e “Compartilhar os pães e os peixes. O cristianismo, a teologia e teologia feminista” (2008).Informações do site IHU on-line.



"Sair da concepção clerical ou papal da Igreja. Um desafio". Entrevista especial com Ivone Gebara.

"Creio que há uma mudança que está se operando em parte do clero, do episcopado e de muitos fiéis, sobretudo mulheres na direção de uma nova ética sexual. O fermento está na massa. É preciso esperar que a levede lentamente”, diz a teóloga.

       

“O papa usou uma tática de não tocar de forma clara nos assuntos litigiosos na Igreja numa primeira visita. (...) Quis ser acolhido como Papa com um novo jeito de ser mais próximo e afetivo e sem as pompas que caracterizam a vida dos pontífices seus predecessores”, avalia Ivone Gebara em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail. Para ela, Francisco age como “se acreditasse que com ele uma nova era na Igreja Católica Romana pudesse ser inaugurada. Mas, não podemos esquecer que o Papa Francisco é o mesmo cardeal Bergoglio de Buenos Aires e suas posições contrárias ao casamento gay, ao aborto, aos anticoncepcionais são bem conhecidas do povo argentino”. E aponta: “E mais, a teologia e a ética sexual oficial da Igreja Católica ainda se referem a um mundo pré-moderno onde os avanços da ciência não tivessem afetado a cultura e a moralidade das pessoas”.
A teóloga afirma que a resposta do papa aos jornalistas referente à ordenação das mulheres a “surpreendeu”. “A surpresa não foi o ‘não’ em relação à ordenação, mas quando afirmou a necessidade de uma ‘teologia da mulher’ na Igreja”, menciona.
E esclarece: “Com essa resposta evidenciou um desconhecimento da luta e da produção teológica das mulheres por muitas décadas. E isto é preocupante para um pontífice que está à frente de uma Igreja majoritariamente feminina. Não sei se o desconhecimento é real ou se corresponde a uma postura política em relação ao movimento de mulheres no mundo e na Igreja. Nesse sentido avalio a visita como deixando a desejar, sobretudo que a maioria dos jovens presentes na Jornada Mundial da Juventude era de mulheres”.

Confira a entrevista.
              

IHU On-Line - Como avalia a visita do Papa ao Brasil?
Ivone Gebara - Quando fazemos uma avaliação de alguém, sobretudo, de um personagem público como o Papa Francisco, nos damos conta da parcialidade de nossas avaliações. Cada pessoa avalia a outra a partir de um ponto de vista ou de uma expectativa ou de uma frustração. No fundo nenhuma avaliação é completa, mesmo as que se pretendem ser avaliações gerais. Não fujo à regra. Repito como tantos outros analistas que a figura do Papa Francisco é muito simpática, sua proximidade das pessoas e seu esforço de usar uma linguagem mais simples e compreensível são dignos de nota. Além disso, tem tomado posições importantes em relação ao governo da Igreja especialmente em resposta aos escândalos do Vaticano assim como posições significativas na linha da denúncia da injustiça social como quando esteve na Ilha de Lampedusa no sul da Itália. As posições de alguém são sempre interligadas às ações presentes e do passado.
Minha avaliação toca também o meu compromisso em relação à causa das mulheres que se expressa de diferentes formas e nos diferentes contextos. A resposta que deu aos jornalistas na volta à Itália quando perguntado sobre a ordenação das mulheres me surpreendeu. A surpresa não foi o “não” em relação à ordenação, mas quando afirmou a necessidade de uma ‘teologia da mulher’ na Igreja. Com essa resposta evidenciou um desconhecimento da luta e da produção teológica das mulheres por muitas décadas. E isto é preocupante para um pontífice que está à frente de uma Igreja majoritariamente feminina. Não sei se o desconhecimento é real ou se corresponde a uma postura política em relação ao movimento de mulheres no mundo e na Igreja. Nesse sentido avalio a visita como deixando a desejar, sobretudo que a maioria dos jovens presentes na Jornada Mundial da Juventude era de mulheres.


IHU On-Line - Diferente dos outros papas, Francisco não abordou em seus discursos questões de gênero e moral, por exemplo. O que o silêncio do papa sinaliza?
Ivone Gebara - Creio que o papa usou uma tática de não tocar de forma clara nos assuntos litigiosos na Igreja numa primeira visita. A meu ver, mas posso estar enganada, quis ser acolhido como Papa com um novo jeito de ser mais próximo e afetivo e sem as pompas que caracterizam a vida dos pontífices seus predecessores. É como se acreditasse que com ele uma nova era na Igreja Católica Romana pudesse ser inaugurada. Mas, não podemos esquecer que o Papa Francisco é o mesmo cardeal Bergoglio de Buenos Aires e suas posições contrárias ao casamento gay, ao aborto, aos anticoncepcionais são bem conhecidas do povo argentino. E mais, a teologia e a ética sexual oficial da Igreja Católica ainda se referem a um mundo pré-moderno onde os avanços da ciência não tivessem afetado a cultura e a moralidade das pessoas. Por exemplo, os insistentes conselhos da Igreja contra os preservativos e anti-concepcionais revelam o quanto esses conselhos são anacrônicos em relação ao mundo de hoje. E mais, como esse tipo de exigência provoca o surgimento de comportamentos dúbios em muitas pessoas no que se refere a moral sexual. Cada um age conforme suas necessidades e crenças e a Igreja institucional age a partir de princípios ignorando a vida real das pessoas.


IHU On-Line - Questionado sobre o fato de não ter mencionado esses assuntos em seus discursos, Francisco disse que os jovens já sabem qual é a posição da Igreja em relação a tais temas. Como a senhora vê essa resposta? Vislumbra alguma mudança na doutrina da Igreja ou na maneira de abordar esses temas?
Ivone Gebara - Creio que no calor do grande espetáculo das falas do papa e do ambiente de convivência dos jovens, esses assuntos capitais não foram tocados por Francisco e não houve igualmente insistência dos jovens para isso, ao menos publicamente. Penso que o papa não desconhece o fato de que os problemas acima enumerados são fundamentalmente problemas da juventude e não dos mais velhos. O mesmo se poderia dizer das drogas. Entretanto, se a resposta não foi dada diretamente pelo Papa, aliás, uma resposta que seria bastante conhecida, foi dada por alguns grupos de Igreja talvez até apoiados por autoridades episcopais.
Em muitas sacolas entregues aos jovens havia um manual de moral sexualem diferentes línguas e, por incrível que pareça, um pequeno feto em forma de boneca assim como um pequeno terço em que cada conta representava um fetinho. Eu quase não acreditei. Precisei ver com meus próprios olhos para confirmar. Queriam instruir os jovens contra o aborto dessa forma realista, violenta e desrespeitosa dos corpos e das dores humanas.
Sinto que precisamos crescer em humanidade, precisamos nos aproximar de forma desarmada das questões e dores alheias. Com o sistema legalista de pureza apresentado por muitos grupos e pessoas da Igreja corremos o risco de acirrar as diferentes formas de violência e a mentira nas relações humanas.
Apesar disso, creio que há uma mudança que está se operando em parte do clero, do episcopado e de muitos fiéis, sobretudo mulheres na direção de uma nova ética sexual. O fermento está na massa. É preciso esperar que a levede lentamente.


IHU On-Line - Considerando os primeiros meses da atuação do Papa Francisco, o que é possível vislumbrar acerca de seu pontificado?
Ivone Gebara - Creio que ele começa com um ponto positivo. Há uma inegável aceitação de sua pessoa e uma esperança em relação a reformas na Igreja Católica. Mas sabemos bem que embora líderes sejam importantes às estruturas de poder e outras, mudam apenas com o empenho coletivo. Nesse sentido creio que os grupos católicos espalhados pelo mundo deveriam manifestar-se mais, fazer propostas e enfrentar a realidade plural da Igreja. Creio que essa realidade plural deveria ter direito de cidadania respeitada. É difícil dizer isso quando desenvolvemos ao longo de séculos a ideia da Igreja una, santa e apostólica. O convite ao respeito das diferenças, o convite à inclusão parecem ser apelos lançados em nosso século nas mais diferentes instituições. E as instituições religiosas não podem deixar de ouvi-los.


IHU On-Line - Deseja acrescentar algo?
Ivone Gebara - Gostaria de reforçar a ideia de que a Igreja também somos nós. Isto significa sair de uma concepção clerical ou papal da Igreja. Em outros termos, a Igreja não são apenas os bispos e não é apenas o Papa. Não são eles que nos entregam a fé. Não são eles que nos dão Jesus Cristo. Não são eles que nos levam a aderir aos valores que sustentam a vida. Eles têm uma função, sem dúvida, mas a realidade da fé se inscreve em cada pessoa, depois se sustenta na comunidade de fiéis capazes de ser uns para os outros justiça, misericórdia, compaixão e ajuda mútua na manutenção da vida. Sair da valorização dos esquemas hierárquicos e buscar a responsabilidade coletiva nas pequenas e grandes ações é um real desafio para todas/os nós.

Com este excelente texto, encerro minhas postagens neste 2013. Volto depois do Carnaval.Bom Natal e Feliz Ano Novo. Norberto.